Sublime
enigma
Viver.
Será uma imutável procura? Complicações, precipícios, (des)encontros. A busca,
a sede, a angústia de descobrir, de ser descoberta também. Abrir as portas da
alma para o universo e experimentar de tudo. Sentir o ar, a chuva e o sol, a vegetação,
a areia, o sangue em seu pulsar incessante e ter repleta consciência de existir
no presente, incluir a vida. Render-se ao enigma da incerteza do que há de chegar.
Das questões desprovidas de respostas instantâneas, e das impossíveis mesmo de
responder. A única realidade é que fui. Sou. Serei? No agora, apenas estou
sendo; mesmo que não possa explicar ao certo quem, como, por qual motivo, em
que ponto. Para que lugar? Viajante-prisioneira da nave circular, gigante para
mim, insignificante na presença do mundo. Qual o objetivo? “Tudo dirige-se para
o bem”.
Mas o conceito de bem varia na multidivergência de pensamentos, opiniões, avaliações.
Então, questiono de novo; qual o objetivo? Amor, poder, prazer, boniteza, harmonia,
felicidade, missão cumprida (missão comprida)?
Viver.
Só é possível sem procurar explicar. Devemos confessar nossa incapacidade de um
esclarecimento verdadeiro ou ao menos persuasivo – resposta correta, precisa, plena.
Esquecer a sequência de perguntas e fazer bom uso do minuto que está a passar,
e nunca retornará. Olhos vendados para o futuro. A única saída é ter confiança
na vida.
Tatiane
Gorska
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