Um trato com meu coração
"Nos outros eu sei onde se abriga o coração, é
no peito;
em mim a anatomia ficou toda louca,
eu sou todo coração"
(Maiakóvski)
em mim a anatomia ficou toda louca,
eu sou todo coração"
(Maiakóvski)
Quando li a passagem supracitada, senti
que era para mim. Queria saber achar alguma racionalidade em mim, mesmo que
pouca, mas sou, precisamente, toda coração, aí ele se sente o poderoso (e na
realidade é), capaz de dirigir cada atitude minha, cada ideia... Mas tenho dialogado
bastante com ele nestes últimos dias e estamos entrando num trato: pelo menos
por trinta dias ele vai se fingir de morto, até que eu remova a sujeira de cada
extensão dele. Já deixei uns sete litros de cândida aqui, separados. Acredito
ser o suficiente. Após isso, sim, o coração pode voltar a exercer suas funções
e a me dirigir, toda. Mas dantes... não! Nada de sentir! Parado aí! Em estado
de inconsciência! Morto! Neste instante é a minha vez de ter você na minha mão
e não o contrário. A ação limpeza já iniciou! Apenas não sei em que momento acaba!
Mas só de iniciar já me encontro feliz da vida! Mesmo isso, há uns dias,
parecia um pouco improvável.
Tatiane Gorska

